Cirurgia Cardiovascular

Cirurgia para Tumores Cardíacos

Embora raros, os tumores cardíacos exigem atenção especializada e abordagem precisa. A presença de uma massa dentro do coração pode interferir no fluxo sanguíneo ou, em casos mais graves, desprender fragmentos que podem causar complicações em outros órgãos. Os tumores cardíacos podem ser divididos em dois grandes grupos: os primários (que nascem no próprio coração) e os secundários (que vêm de outros órgãos). Entre todos os tumores que acometem o coração, apenas cerca de 5% a 10% são primários. O restante corresponde a metástases cardíacas. Cerca de 75% dos tumores primários são benignos, sendo o mixoma o tipo mais frequente em adultos.

O Mixoma: O mais comum

O mixoma é o tumor cardíaco mais frequente e costuma se desenvolver no átrio esquerdo. Embora não seja um câncer (não invade outros tecidos), ele é perigoso pois pode causar obstruções intracardíacas ou embolias, quando pedaços do tumor podem se soltar e ir para a corrente sanguínea, podendo causar um “derrame” (AVC) ou obstruções arteriais. Por isso, mesmo sendo benigno, a indicação cirúrgica costuma ser imediata após o diagnóstico.

Como o procedimento é realizado?

O objetivo da cirurgia é a exérese (remoção) completa da massa tumoral. Para isso, a câmara cardíaca é acessada, o tumor é removido junto com sua base de implantação e se necessário, a região é reconstruída com material biológico ou sintético. Todo o material é enviado para a análise, garantindo o dignóstico definitivo.

Além do Mixoma

Embora o mixoma seja o tumor cardíaco mais conhecido, o coração pode ser acometido por outros tipos de massas, cada uma com características e riscos específicos. Entender a natureza de cada tumor é o primeiro passo para um tratamento seguro. A boa notícia é que, para tumores benignos como o mixoma, a cirurgia costuma significar a cura definitiva. O fibroelastoma papilífero costuma ser o segundo tumor benigno mais frequente e tem uma predileção especial pelas valvas cardíacas (aórtica e mitral). O perigo não é o tamanho (geralmente são pequenos), mas sim a facilidade com que pequenos fragmentos ou coágulos se soltam de sua superfície, podendo causar embolizações. Os lipomas muitas vezes são achados acidentais em exames de imagem. Só exigem cirurgia se crescerem o suficiente para comprimir as cavidades cardíacas ou interferir no ritmo do coração. A cirurgia é curativa e consiste na remoção da massa gordurosa.

Tumores Malignos 

Os tumores malignos cardíacos são menos frequentes que os benignos, mas exigem uma abordagem multidisciplinar rápida e intensiva, pois apesar de raros, são mais agressivos. A cirurgia é indicada de forma criteriosa, geralmente para resolver complicações urgentes, como o acúmulo de líquido ao redor do coração (derrame pericárdico) ou obstruções que impedem o funcionamento cardíaco básico, visando sempre a melhora da qualidade de vida do paciente assim que o diagnóstico é confirmado, devido ao risco de complicações. 

O Papel do “Heart Team” (Time do Coração)

O tratamento de tumores cardíacos, especialmente os malignos, não é feito isoladamente, exigindo a discussão em conjunto com outros especialistas para definir a melhor estratégia para cada paciente. São realizados exames detalhados, como Ecocardiograma 3D, Ressonância Magnética Cardíaca e Tomografia para mapear cada milímetro do tumor para realizar o planejamento cirúrgico,

A palavra do especialista: 

“A descoberta de uma massa no coração gera muita ansiedade no paciente e na família. Por sorte, a grande maioria é benigna e curável com uma cirurgia precisa. Mesmo nos casos de malignidade, a cirurgia moderna oferece recursos para proteger a função do coração e apoiar o tratamento oncológico. Retirar o tumor é, na verdade, devolver ao paciente a segurança de que seu coração está livre de obstruções e riscos de embolia.”

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